Quinta-feira, 13 de Agosto de 2020
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A durabilidade das construções romanas e as obras das nossas empreiteiras

Publicada em 12/07/20 às 22:31h - 24 visualizações

por Francisco Nery Júnior


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Coliseu romano – construído há séculos. Belvedere em Paulo Afonso/BA – construído há 62 anos. Canal da transposição do rio São Francisco em dezembro de 2011, poucos meses depois de ser construído. Estrada federal brasileira, poucos meses de asfaltada. (Fo  (Foto: Fotos: net, Arq. Folha Sertaneja e bahianoticias.com.br )

O Arco de Constantino, entre o Coliseu e o Monte Palatino, continua em Roma, firme e forte após séculos de erigido para comemorar a vitória do imperador Constantino   sobre Maxêncio na Batalha da ponte Mílvia em 312 da Era Cristã. Estamos falando, leitor, de algo construído há mais de dezessete séculos. Séculos! Considerando que cada século tem cem anos, é uma boa estirada. E o arco está lá. A gente olha para cima e os caracteres e personagens continuam firmes de ver a olho nu.


São rios de turistas a congestionar a área central do Coliseu, Monte Palatino e o Arco de Constantino. As sólidas construções dos romanos atraem os visitantes para a Itália de hoje. Resistem ao tempo porque bem construídas. A solidez dessas obras garantem a sua longevidade. Digamos que foram feitas com seriedade. Roma era um império, mas o dinheiro do contribuinte romano foi aplicado com responsabilidade. Digamos com honradez. E elas estão lá a garantir o que estamos a dizer.


Como na velha Roma, outros monumentos em todo o mundo atestam o compromisso dos construtores em erguer obras sólidas e duráveis. Manilhas e dutos em cerâmica da época dos imperadores ainda escoam águas usadas na Roma moderna.


As obras da nossa era, caras e dispendiosas embora, não são, na grande maioria, duráveis. Carecem de “revisões” periódicas. Requerem inspeções complicadas e manutenção preventiva – cara – para não desabar. Já comentamos nesta coluna que os Estados Unidos se preparam para gastar bilhões de dólares em um compreensivo programa de manutenção das pontes e viadutos americanos construídos há menos de um século.


E em Paulo Afonso, as reurbanizações se sucedem. Pisos sem base adequada se decompõem, pedras sem colagem precisa se soltam e alambrados e cercados em ferro de má qualidade são corroídos pela ação do tempo. Quase nunca essas construções tem a qualidade de um Belvedere ou de uma colina da Igreja de São Francisco construídos pela Chesf com qualidade, lisura e com a devida fiscalização.


À inconsistência das obras públicas da cidade, junta-se o descaso com o bem comum. As calçadas e passarelas dos nossos logradouros públicos são comumente destruídas por operários que criminosamente traçam massa nesses locais sem nenhuma proteção. Em Toulouse, pude observar o cuidado dos operários para não danificar o que está feito. Na França não se cavam buracos nas calçadas por qualquer motivo. Lá existe fiscalização e o infrator leva pesadas multas.


Podemos selecionar o nosso centro como objetivo imediato de toda nossa argumentação. A Avenida Getúlio Vargas, a nossa Rua da Frente, deverá passar por nova reforma. O projeto já foi publicado. Sem a leveza de uma Brasília dos anos sessenta, a partir de uma visão perfunctória e inicial, se nos apresenta como um projeto dispendioso. Em comparação à elaboração do projeto (mais de quinhentos mil reais), o custo da execução deverá ser sideral.

Se estivéssemos levando em conta a durabilidade das nossas obras, como faziam os romanos, poderíamos ter muito mais construções na nossa cidade do que reconstruções.

Francisco Nery Júnior     




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